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A Mamã e a Xiquita

O blog que olha para a maternidade sem grandes filtros.

A Mamã e a Xiquita

O blog que olha para a maternidade sem grandes filtros.

07
Set16

Porque escrevo?

A Mamã

 

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 Há centenas de blogs maternos pela Internet. 

Não sei porque as outras mães o fazem, mas sei a razão pela qual eu o faço!

 

Quando a Francisca nasceu, dei conta que a maternidade não é assim tão colorida como pintam.

Descobri que tem o seu lado mau, e nunca ninguém me tinha contado isso.

Até um dia que falei com uma amiga que tem filhos mais velhos que a Xiquita, e ela disse-me que tinha passado pelo mesmo. Que nunca ninguém lhe tinha falado do lado menos bom de ser mãe. 

 

Se eu soubesse que sentir-me cansada, exausta e às vezes ter vontade de fugir, não diminui o amor que tenho pela minha filha, eu não teria passado tantos dias a sentir-me a pior mãe do mundo.

 

Então decidi começar este blog para que outras mulheres não se sintam péssimas, tal como eu me senti, só por serem de carne e osso.

 

O blog dá-me algum trabalho, exige pesquisa, dedicação, mas é uma forma de trazer informações, esclarecer dúvidas, falar a verdade e aproximar mulheres, que acham que são as únicas no mundo a sentirem-se más mães. 

 

Claro que isto de ter um blog tem o seu lado mau, há pessoas que interpretam as coisas mal, outras que só criticam, e algumas que só por maldade tentam de todas as formas atingir-me (e algumas até conseguem).

 

Mas quando isso acontece, eu lembro-me do porquê de vos escrever, vejo os números de visualizações do blog aumentarem, e leio os vossos comentários amorosos!

Aí tudo passa e continuo com força para continuar a comunicar convosco!

 

E para ajudar recebo mensagens de apoio, que realmente me deixam sem palavras mas de coração cheio.

Hoje deixo-vos aqui um email que recebi de uma leitora como muitas de vós. 

Ocultei o nome a pedido da mesma.

 

 Ora leiam e digam-me lá que não é delicioso receber mensagens destas:

 

 

"Olá Ana Sofia:

 

Eu sou a *****

Eu tenho a tua idade

Eu tenho um filho de 12 meses e uns dias (**/8/2015)

Eu nem sei porque te escrevo...

 

Tropeçei no teu blog através de uma partilha de facebook. Gostei logo dele, é simples, reto e carinhoso

 

Admiro-te por seres tão bem resolvida porque eu infelizmente acumulo alguma mágoa, raiva e frustração e às vezes, penso que queixo demais daquilo que não tenho do que daquilo que tenho a sorte de ter

 

A minha vida não é fácil. Decidi ser médica...

Decidi que era importante ter amor na minha vida, estabilidade. Casei-me e como se não bastasse. acrescentei um bébé no último ano do internato.

 

No hospital onde estou há dezenas de médicas (de várias especialidades) no internato. Fomos 5 as que decidimos ter filhos neste período.

 

Sabia que ia ser díficil, mas não tanto...prestes a fazer o meu exame de especialidade e após um balanço curricular exaustivo, verifico que:

 

(2628 cirurgias, 30 publicações, 6 prémios em autoria ou co-autoria,mais de 60 comunicações (autoria ou co-autoria), dezenas de congressos e cursos depois..

(e acredita não foi nada de extraordinário, apenas o basal)).

 

Sinto-me culpada a pensar que não me dedico o suficiente a nada, esta coisa do multi task dá cabo de mim...

Sinto-me tão cansada todos os dias, que só os sorrisos dele me dão força

Tenho de passar horas e ler 2 volumes de 2000 páginas (vou resumir e ler metade)

 

Casei-me, não fiz piercings, não fiz tatuagens, amamentei em exclusivo, quis um parto eutócico e fui a única cesariana do dia..engravidei sem querer, fiz imensa radiação porque não sabia, tive uma gravidez de risco com suspeita de malformação (não verificada) e trabalhei até aos 7 meses de gravidez no pino do Verão, quando o barrigão já nem me permitia chegar à mesa operatória....

 

A questão é, com um marido cirurgião (pouquissimo tempo em casa), pouco apoio familiar, uma conta estável e confortável, mas com muita falta de sorte para arranjar empregadas, achas que sobrevivo?

 

às vezes acho que não 

Admiro imenso a tua coragem porque só uma pessoa com uma grande serenidade e força interior  toma uma decisão de coragem e deixa de trabalhar.

Eu sempre fui escrava da perfeição dita e definida socialmente, a trabalhar para os 20 valores, a procurar campos minados e cheios de dificuldades, No fundo talvez seja apenas uma vaidosa intelectual...

 

Talvez um dia a nossa sociedade evolua  (curiosamente para os tempos antigos) para que mais mulheres tomem uma decisão como a tua, plena de liberdade

 

Por enquanto eu continuarei escrava...

 

da tua antítese e admiradora,

 

*****, (num ano especialmente doloroso)

 

Desejo manter-me só no anonimato dos e-mails

Obrigada por escreveres, revi-me em cada palavra :)"

 

 

É ou não é de ficar de coração cheio?

 

É isto que me faz continuar a escrever-vos: a esperança de estar ajudar mais do que a incomodar.

 

Um beijinho a todas, mas neste post (desculpem) em especial à minha menina *****!!! ❤