Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

A Mamã e a Xiquita

O blog que olha para a maternidade sem grandes filtros.

A Mamã e a Xiquita

O blog que olha para a maternidade sem grandes filtros.

03
Ago16

A carta que te escrevi, ainda grávida...

A Mamã

8

FB_IMG_1470223301756.jpg

 

Meninas, hoje venho-vos deixar uma carta que escrevi para a Xiquita, quando ainda estava grávida. 

 

"Francisca:
Um dia destes ainda tu aqui na minha barriga, perguntaram me, o que é que eu gostava que tu fosses quando crescesses...
Pensei, pensei e pensei... E...
Sabes o que é que eu realmente gostava?
Gostava que te tornasses numa mulher saudável e numa pessoa bonita. Numa menina boa, numa adolescente feliz e numa adulta segura e confiante.
Gostava que crescesses íntegra. Que fosses equilibrada. Gostava de te ver rodeada de pessoas de bem e de bons exemplos. Gostava que defendesses os teus princípios e lutasses pelas tuas convicções.
Não gostava de te ver apenas centrada em ti. Não gostava que fosses mal educada ou que desrespeitasses quem te rodeia.
Gostava que aprendesses a partilhar, a ajudar, a distribuir bondade para que um dia a vida te devolva tudo isso, em dobro. Gostava que desses valor às pequenas coisas mais do que às grandes. Gostava que construísses sonhos e que fosses atrás deles com as duas mãos. Que os agarrasses como teus, mesmo aqueles que pensasses serem inalcançaveis. O segredo não está em realiza-los mas em acreditar que o conseguimos fazer.
Gostava que te apaixonasses muitas vezes e que de cada uma delas aprendesses o que de melhor e pior define as pessoas. Para perceberes que a felicidade dá trabalho. Para perceberes que a inocência não é ingenuidade. Para perceberes que a sorte requer muita dedicação.
Não gostava que fosses demasiado pragmática e racional, realista e inflexível. Não gostava que pusesses sempre a cabeça à frente do coração. Gostava que ouvisses um sem nunca esquecer a opinião do outro. Não gostava que fosses complicada ou difícil. Não gostava que fosses fria, calculista ou fútil.
Gostava que seguisses o caminho que escolhesses com coragem e que te propusesses a percorre-lo, sabendo que vais errar muitas vezes. O erro será tão importante para o teu amadurecimento como o acerto.
Não gostava que te deixasses vencer por dúvidas ou inseguranças. Não gostava que permitisses que o medo te travasse ou derrubasse. Porque o medo será de longe o teu único e verdadeiro inimigo.
Gostava de te ver feliz. Não acomodada. Preenchida. Não endinheirada. Respeitada. Não bajulada. Amada. Não venerada. Ambiciosa. Não gananciosa.

Gostava que vivesses muitos e muitos anos para seres mãe, avó e bisavó de uma família cheia de gente com um bom coração, tal como aquele que eu acredito que tu vais ter.

Um beijo da mãe que apesar de ainda não teres nascido já te ama de uma forma impossível de explicar! ❤